Skip to main content

Ler nas entrelinhas!

Ler nas entrelinhas, é uma dadiva dos disléxicos, vivemos na emoção de ver o que lá existe, podemos não ler palavras, saltar linhas sem perder o sentido e ver outros sentidos no que se escreve, lê ou vê.
Os significados ocultos são-nos facultados como por artes mágicas, e sentimos realsar os pontos que não nos querem mostrar.
Escrevo isto a proposito da comonicação social, passei as minhas ultimas férias a devorar jornais e revistas. A idade tem destas coisas, uma pessoa vai envelhecendo e vai começando a preocupar-se com o mundo, saimos da irresponsabilidade para a preocupação mesmos antes do desencanto que antecede o ponto final paragrafo, e lá está, passei mais uma vês pelas linhas da vida saltando o seu conteudo.
Mas voltando ao que interessa, a imprensa escrita, o que eu retirei desta leitura ineterrupta, foi simples, quase tudo o que lá encontrei era digno de pular, bastava uma ou duas entrelinhas para se perceber, a escrita é desinteressante, e os temas são filtrados deformados e atrofiados por um cuorum Jornalistico, no fundo quase todos escrevem o mesmo sobre o mesmo, criando uma amalgama de letras coerentes, que visão a formação de um pensamento colectivo cinzento.
É uma pena o tamanho desperdicio de papel usado para imprimir os nossos Jornais, quando lia a unica imagem que me ocorria é o abate de arvores para a produção dessa imprensa, só as paginas de desperdicio devem desbastar tantas arvores em Portugal como os fogos que enchião as letras gordas dos Jornais.
Mais, acho irresponsavel e perigoso, o afunilar de ideias que nos é oferecid diariamente pelos Jornalistas e cronistas, o que me leva a concluir, que mais vale ser Disléxico e não saber escrever, do que escrever com uma vista tão curta que só me permiter chegar ao Jornal do lado ou à agência Lusa.
Ainda bem que leio mais entrelinhas que linhas, e que as letras podem ganhar novas formas.

Comments

Popular posts from this blog

Deus perdoa, eu não.

Vai rápido na sua lambreta, sem medo de nada, não há perigo que assuste Amilcar, cresceu a trabalhar pedra e o mármore faz de um homem um duro. A pressa que o leva é o amor ao seu Benfica, tem de chegar ao Preto & Branco antes que o jogo inicie. De Pêro Pinheiro ao Algueirão Velho ainda é um esticão, mas ali no P&B sempre há as gajas para comemorar a vitória. Finalmente chega ao seu destino, desmonta da Zundap sem perder a pose, sai calmo, tira o capacete naquele gesto que o caracteriza, puxa o escarro do pó que carrega nos pulmões, lança com desprezo para o chão aquela morte que vem dentro dele por nunca usar a máscara, pois isso não é coisa de homem. Entra no P&B, para trás deixa a moto que no depósito tem escrito a frase que tudo diz sobre ele: “Deus Perdoa, eu não.” O jogo começa, pede cerveja, uma a seguir à outra entremeada de 1920, pois vai ser um dia de festa e Amilcar não quer perder nem um segundo. O jogo vai correndo, a cerveja embriagando e o ânimo crescendo. Já...

IN Diferente.

A propósito da escrita e do políticamente correcto, saíu na Xis deste fim-de-semana uma reportagem sobre o tema, “Dislexia Diferença e não Doença”. Não querendo atacar, de forma alguma, o texto certamente bem intencionado e bem estruturado da Jornalista Ana Gomes, não deixa de me incomodar no entanto esta prisão linguística que foi impreguenado no discurso moderno, o tão chamado e utilizando um jarguão jornalístico, políticamente correcto. Essa clausura da palavra, que leva a um suavizar das expressões e que embora sirva para impedir que se firam susceptibilidades em pessoas mais sensíveis, retira a carga dramática que os substantivos e adjectivos utilizados para tipificar as questões devem ter. Olhando esta peça escrita para informar, encontrei o mote para este texto que andava a remoer, palavras brandas retiram por vezes a profundidade ao problema, e embora compreenda a gravidade do tema em questão e a necessidade de uma abordagem sensível, pois a reportagem trata de uma deficiência...

A.A.

Falar para um grupo de terapia é sempre constrangedor, já se esteve ali sentado a ouvir os outros, já se conhece o molde em que é feito, mas tudo o que se possa dizer parece agora pouco, o que nos levou lá parece insignificante perante as outras vidas. Ele estava ali em pé parado, silencioso perante um grupo que o olhava ansioso, esperando a relativização dos seus próprios problemas. Se o seu mentor não o tivesse empurrado, nunca teria tido sequer a coragem de tentar. Sabia que tinha de começar, só que na garganta estava um nó que lhe negava o verbo. Começou por balbuciar imperceptíveis palavras, entre gaguejos e entaramelares, a sua vida foi aparecendo lentamente. O olhar atento dos outros motivou-o a continuar. A sua vida era um caos, nascera debaixo de uma austera educação católica que o levara a tornar-se num menino da Igreja devoto e solidário, uma boa alma virtuosa, incapaz de pecar. Vivia uma existência crente que lhe criara bloqueios, num mundo agressivo e violento que con...